Meu trem

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Espero meu trem 
Sua hora não sei 
Mas a mim ele vem
Na estação que estou 
A chuva toca o prelúdio
Pelo doce tilintar de mim
A a água que respiro. 
Com notas em três 
E compasso em giro
Pois o tempo só passa
Quando o relógio miro. 
E tudo que está 
Ainda perdura 
Até saber o não sabido, 
Que a novidade 
Só habita sentidos. 
Minha paciência um gato se vira. 
O criei, o alimento e aqui o vejo. 
Seu amor me cresce como vão os dias. 
Ele caminha por cima das coisas 
Que me interesso, por onde olho 
Por seja onde me expresso. 
Ronrona de prazer por respirar 
E estar na minha espera. 
Sobe no meu colo
Se torna minha virtude, 
Sabe os pensamentos que não tenho, 
Algoz sádico da inquietude. 
Sabe que tudo é maior 
Que sou parte 
Que ele me é
Paciência que não parte 
Enquanto o trem não existe
Aprecio do felino a arte