O Livro dos Sábios

Retirar-me-ei na solidão, porém não ficarei fechado nela. Está por acaso Deus comigo só? Não
está vivente na natureza inteira? Não se expande a sua beleza nas flores, nas crianças e nas mulheres? Não se sente no meio das debilidades e das agitações dos homens a força que os domina e que os conduz? Não fugirei, pois, dos homens porque suas vaidades me enojam: seria egoísta e enganar-me-ia se dissesse que amo a Deus. Amarei a teus filhos, o, meu pai! Sobretudo quando estiverem doentes e parecerem abandonados por ti; porque então pensarei que os confias a mim. Chorarei com os que choram, rirei com os que riem, cantarei com os que cantam. As carícias de uma criança far-me-ão estremecer de alegria e a lembrança de uma mulher me fará sonhar em teu amor. Porque não há nem malditos nem bastardos na tua família Criaste tudo em tua sabedoria e conduziste tudo ao bem pela tua bondade. Todo amor vem de ti e volta a ti. A mulher a medianeira da tua graça; e, o vinho que revigora o coração do homem o auxiliar do teu espírito. Longe de mim os que te caluniam e dão teu nome a execráveis imagens. Que se esqueça para sempre esse pesadelo da antiga barbárie, esse verdugo das suas criaturas a quem acumula em uma imensa podridão onde conserva-as vivas salvando-as com fogo! Que se despreza para sempre a esse amo caprichoso como a uma cortesã romana que escolhe a uns e rejeita a outros, que se irrita definitivamente por um esquecimento, que sacrifica para si a seu próprio filho em favor daqueles contra quem não lhe apraz irritar-se, tornando-se cada vez mais implacável para com todos os demais! Velhos ídolos, velhos erros, nuvens disformes da noite, das antigas idades, o sol se levanta, seus raios atravessam de todos os lados, como flechas de ouro. Retira-os para a noite, nuvem de inverno, a primavera sopra, dissipaos, passai, passai!

- Eliphas Levi, O livro dos Sábios

Meditações da Esfera Voltaica

1E você diz que não.
Doces devaneios de um tolo,
Fantasia romântica de estrela no céu.
Onde cadê o sentido?
Aqui tudo é concreto.
Tem que ter um motivo pra fazer,
Tem que conseguir dinheiro
Carro pra lá, pra ser,
Gente indo trabalhar,
Acordando cedo,
Dormindo tarde.
Gente com medo.
Gente que não para.
Dia acaba dia começa,
Que quer amar,
Gente só.

Premeditações da Atmosfera Voltaica

O velho Mago Cinza fala
Há muito tempo ninguém ouve
Não se lembra os timbres
Que permeiam seu entorno
Mudam as aparências
Corta o ar carregado
Um trovão que fala no coração
Dos homens meninos,
Das imperatrizes moças,
Das princesas de seu castelo
E daqueles que esqueceram
De tudo que se pode esquecer
O velho mago fala
As vozes vem de todas as diretrizes
E vai por todo canto
Suas revelações são dúvidas
Eretas ígneas inquietas
De quem sabe, de quem percebe
Que há algo de desconhecido
Onde antes se pastava

Santiago

Porque toda a Via Láctea
é o caminho que volto a andar
para chegar no início do caminho
que terei de chegar, para o início alcançar.
Nunca voltar.
Nunca parar de explorar.

Duelo

O vampiro me tirou a órbita.
Só teve o que precisava.
E eu não tive?
Em quantos mundos terei de andar,
Para saber o que sempre soube?

Fazendo de nós

Porque não.
E me pergunto o que estamos fazendo de nós.
Onde deixamos aquilo de tão especial,
que só de respirar já era um outro mundo.
Mais leve, mais paz,
Puro caos gostoso como só.
Eu sei que é assim, que nada deveria ser de outro jeito.
Pois só você me faz sentir assim.

Doce Paraíso

E você estava certa sobre a serpente.
E inventaram tudo quanto é história
para ir por aí e por ali.
E eu acho graça.
Podemos rir disso juntos.
Pois o que seria da realidade não fossem elas?
O que seria de nós se não pudéssemos estar além do bem e do mal?

Por todo canto

Porque, das coisas que pensei, foi te encontrar em um mundo onde nem eu sei. Em algum lugar, por todo canto, o que me resta é um silêncio, no vazio, completo, cheio de mim e de você. Por onde te vejo, nos relances, nos reflexos dos olhos das pessoas que passo.
Por todo canto.
Preciso dizer?
E se não disser, prolongaria toda a vida de escola? Faria eterna toda a magia? De certo não quis saber tais respostas.
Isso sou seu.

Diálogo com o mago cinza 2

No onde sem nome
Ele uma linha traçou
"daqui, tudo afeiçoa o homem,
de lá, o que não prestou."

Debaixo de chuva, sol e sereno
Em círculos todos andou,
Até fazer da reta seu terreno
Onde no tênue fio funambulou.

Essente é, da linha morada afirmar
E diante dos olhos outro ser
Àquilo que tudo mais criar.
-Ele é. Desd'o fim até o nascer.

Gên nesis

A poeira das estrelas foram pouco a pouco se acalmando para formar seu nariz, o denso caiu pelas pontas, adornando a massa para se tornar sua boca. E as estrelas em brasa não esfriaram, formaram as centelhas dos teus olhos.

Caleidoscópio

No tocante ao nosso problema silencioso, qual pertence seria mais caro do que a serenidade?
Querer ir até onde se pode, querer tatear na escuridão até encontrar rachaduras, frestas que se dedilham até tudo o mais ser tudo o mais, não ser nada se não o que há além.
Quem caminha nas linhas do infinito, onde tudo é abismo?

Diálogo com o mago cinza

O bem,
O mal.
O bem e o mal.
O bem bom.
O mal mau.
O bem do bem bom,
O mal do mal mau.
O mal do bem bom.
O bem do mal mau.
O mal no bem,
O bem no mal.

De Finir

O pequeno príncipe agora é um Grande Rei?
O leão da Terra agora é uma criança dos riscos de lápis?
O quarto mago que não era rei, cavalga sem morada e por todos os caminhos que caminhos sejam o seu.
Areias que escorrem no compasso do coração dão, grão por grão, a sugestão de que em algum lugar há um encontro marcado com o inesperado.

A Travessa do Inferno

Por mim se vai das dores à morada,
Por mim se vai ao padecer eterno,
Por mim se vai à gente condenada.

- Dante


 Me vi, então, nas terras salobras do Inferno. Cheguei aqui para encontrar o que há para mim, o que há para ser encontrado. Cheguei aqui porque é meu caminho passar por aqui. Entendo que num universo onde tudo se constrói do seu oposto, o sal é que deixará o paladar com perícia maior ao sabor do vinho.

 Vejo a ampulheta progredir e a vejo de fora. Um grão de areia que não pertence àquele todo. Aqui nessas terras de céu enegrecido, rubro e persa; nunca me vi tão só. Solidão que sempre valorizei no meu íntimo, que me derrubou em abismos de carência e contigência, agora me mostra uma nova face: Perguntas inteligíveis por outro se não por aquele que dela padece.

Macaé

E tudo girou em volta quando ela fechou os olhos. Sem chão. Caiu sentada na calçada tentando se segurar na parede que era chão e depois não era mais.
 Vindo do espaço vazio, a mão dele agarrou a sua dando algo para ela não cair no turbilhão sem fim. Ela apertou de volta e o puxou tão perto, que poderiam começar a dançar enquanto os ventos do tornado devastavam a cidade ao redor.
 Ele sussurrou no seu ouvido palavras que falavam pensamentos que falavam palavras que não precisavam se falar. Ela piscou, o vento mudou, e voaram para um lugar depois de Macaé.

Consciência

Penso que o universo não explodiu de um ponto ou foi criado por Deus em 7 dias, é algo vivo, inteiro, completo que foi virado pelo avesso; e todas as outras teorias em seguida.

Afirmação, negação e resolução + -

Olhar penetrante o que há de mais baixo no homem. Quando o moralista aponta algo errado, ele se posiciona fora daqui. Segrega a relação... Ou cria uma relação de segregação?

Tamo junto.
Lula é um bandido, ladrão!
Ela não está respeitando o que combinamos.
Eles só falam de coisas triviais.


Objectum

Da Wikipedia


Objeto (AO 1945Objecto) (latimobiectum, significa atirado adiante) é, segundo a etimologia da palavra, o que é posto diante. O correspondente alemãoGegenstand, apresenta a mesma significação: "o que está diante, em frente". Desta forma, a terminologia filosófica rigorosa percebe "uma relação com alguém, em face de quem o objeto se encontra" e não "como simples sinônimo de coisa".
Objecto
Objetivo, do objeto. Óbvio assim?
Adjetivo, soma de?
Subjetivo, abaixo de?
Jectivo.
Relativo.
Rela.
Rela ação.


Letras na parede

Os meninos tinham falado que os barulhos de coisas se quebrando na colina das ruínas da antiga igreja eram fantasmas das pessoas que dedicaram sua vida à beatitude e não foram pro céu. João não ligou para as telhas que caíam enquanto encontrava um jeito de subir dos bancos amontoados para o que sobrara do sótão de madeira úmida. Nem para os joelhos que arranharam se apoiando nas farpas. Nem para o gemido do vento, o sussurrar de frases que não sabia de onde vinha ou se alguém estava falando.
Quando chegou no telhado, viu toda a cidade em sua extensão e harmonia até a colina da costa do mar. Pensou nos outros meninos da sua idade, pensou no medo que eles e as outras pessoas tem de coisas que, para ele, não tem medo nelas. Uma telha em algum lugar caiu sem porquê.
Aqui no alto o ar tem outro sabor. Respirava e contemplava aquela existência. Pegou um caco e desenhou seu nome na parede da torre do sino.

Manifesto

- Aprecie o caminho
- Pare e olhe em volta.
- Fique um pouco e escute.
- Desconfie de si quando algo não te agradar
- Feche os olhos e respire devagar.
- Rabisque qualquer coisa.
- Dê mordidas menores, mastigue mais.
- Desconfie de si quando discordar.

Conflitos

Existir é relacionar-se;
Relacionar é afetar e ser afetado
Pelas partes quais me relacionam.
Eu morro nas relações.

Alegria é o resultado da harmonia entre partes que se relacionam. Ganho de potência.
Morte é toda relação entre partes que nos rouba potência.

Olho do Solitário

O perigo espreita e na beira do seu holofote, caminho. Já não consigo ficar parado. Meu descanso não é aqui: é embaixo de uma árvore perto das estrrelas. Suas raízes crescem no movimento infinito da expansão. Sua é a minha sombra e já não sou mais.
 Um ser que agora é um campo de batalha. Chega o enunciado meio-dia da vida. Guerra! Guerra é a condição que tanto fugi.
 Quem é o amigo que não conheço? Quem é aquele que me ensina?
 Vozes e tambores cantam silêncio.
 O Olho do Solitário espera em outra casa atrás de uma janela dentro de outra janela.
 Agora sabe que sei de você.

Órbita

Do calor para o frio
Do professor para o aluno
Do amante para a amante
Da chuva para o asfalto
Da pele para a curiosidade
Da paz para a guerra
Da boca para o beijo
Do pão com manteiga para o chão
Da fome para o cheiro da comida
Do sério para a comédia
Do gozo para a depressão
Da seca para a sede
Da solidão para a companhia
Da companhia para a solidão
Da falta para a posse
Do vazio pelo que preencha
Do segregado para a beatitude
Do caos para a ordem
Do material para o espiritual
Da família para a ovelha negra
Do pobre para o rico
Da inércia para a retidão
De casa para meu destino

E agora?

Seja qual for a resposta que você der, tudo girará em volta dela. A natureza do que te é mais elementar está na realização do querer. O que fundamenta o fundamento. Auto-realização. Realização em si, da palavra, da origem da palavra, do que pensou a palavra. Da corrente que trouxe o pensamento.

Hã?

Pessoa A:  Imobilidade mesmo no conjunto por forças ocultas ou desconhecidas. Confesso que desisti de mudanças nos outros e foco mais em mim mesmo, mas como sou relaxado e esquecido estou sempre numa estéril participação social e política.

Pessoa B: Hahaha que isso! Não desanime consigo. Política, social, mudanças nos outros são distrações. O que interessa de verdade? O que importa? O que é mais elementar?

?

Não ensino quando quero ensinar, não trabalho quando quero trabalhar. Quem sou?

Mandalas na parede

Era uma garota de coração simples. Queria estar em uma posição de amor. Não uma princesa. Há muito tempo havia abandonado tal instinto. Era amor como natureza. Tinha uma missão como todos aqueles que estão em uma jornada.
Entregou uma flor para um jovem rapaz que caminhava tolhido em direção a porta que dava para a chuva. Eles se olharam. Um olhar de calmaria tão sem fundo que ela teve de se segurar. Houve gratidão, nenhuma palavra.
  Ela se virou de costas e continuou pela rua com seu cesto de flores. Ao longo do caminho, casas alinhadas com jovens tristes na janela. Milhares de centenas de casas se estendiam ao infinito do abismo dos olhos do jovem rapaz.

Po-em

Aprecie o caminho
Aproveite a travessa
Contemple o pathos
Não tenha pressa
Eu escapo tudo, fujo de qualquer linha reta que você ande para o meu sonho. Um brilho repentino no canto da sua visão. Gosto da distração do brilho. Orbito.

Pathos

A meta dentro do pathos, definida como um ponto na frente do presente é uma das coisas mais desafiadoras que já me foram incubidas. Ter um sonho e acreditar nele. Ter um foco e trabalhar para que seja alcançado. Eis então algo desafiador?

Vasco x Flamengo

Por a imanência estar em tudo, toda reprodução de papéis é uma tendência a um aspecto seu seu. Uma briga de torcida é outra dimensão da multiplicidade de um conflito interno que acontece em todo ser. Bobagem. Por que uma torcida briga com a outra?

Objeto

 Não olhe para as horas. Agora que olhou, elas te farão perguntas, se já não fizeram. Quererão que as preencha. Se já não o fez.

Princesa e Cavaleiro

 Pois ele foi um cara desses aí. Lia histórias de que gostava e outras que não.
 Tinha fé ano após ano no que entendia, no momento, que deveria ter fé. Trabalho melhor. Curso para trabalho melhor. Vida melhor. Relacionamento para vida melhor.
 Tinha suas músicas prediletas. Gostava de ouvir para sentir a paixão. De alguns estilos bem específicos, queria ser punk e Legião Urbana. Grunge e Cazuza. Queria se identificar. Ou demonstrar sua identificação?
 Havia parado de rabiscar frases nos cantos das folhas para ser adulto. Era um homem de bem, como sua mãe dizia. Era franco, por natureza e opção. As mentiras que contava não lhe suportavam por muito tempo.
Gostar de uma garota só, aquela que só ele gostava. E só ele gostava como podia gostar. Amava na sua condição de amante da garota. Sem permitir o transformar disso no que poderia ser. Um bom sexo? Um romance como contavam as fadas? Um relacionamento de eternos cúmplices?
 Não. Apenas o amar a garota. Princesa e cavaleiro.

Supernovas e madrugadas

 Tem um momento, um sutil momento, que será ignorado e talvez até negado. Mas por ser negado é que existiu. É quando você observa algo que deveria estar ali, ser como de costume, mais uma postagem daquele ser, mais uma conduta, um balbuciar condizente, uma fala esperada e entanglado naquela realidade. Um minuto dentre os outros. Uma pessoa dentre as outras. Um arquétipo conhecido, alguém que você sabe onde se encaixa, com traços e trejeitos certos, denominados, pré-estabelecidos. O momento, o alguém, quer sair de onde está, da condição que está, por isso segue, quer mais do que isso, quer que seus sentimentos todos saiam de si e se expandam para além do seu limite. Erupções de gases inertes, poeira cósmica, chama de plasma, sentimentos reprimidos todos rasgando o espaço a sua volta numa explosão violenta e delicada de uma super nova.


8 minutos

8 minutos 
Vai ter piscina 
Na chuva 
Dentro de mim 
Dentro da minha
Ao lado da sua esposa 
Bom dia eu te amo
Vem logo
Não gosto de deixar você andar 
Não, né? 
Em tudo que é canto tem prédio construindo 
Eu sonhei com um cachorrinho
Quer dizer alguma coisa, sabe? 
Mas vamos fazer o que? 
Gostei da sua ideia
De onde vem algo assim? 
Você está rindo 
Guardava em baixo do colchão
Aproveita o dia para fazer isso aí
O problema é contratempo 
Que preguiça! 
Vejo você em quantos ônibus
Tenho que conseguir
A árvore procurou o sol
Ficou toda deitada 
Para fazer fotossíntese 
Estou com sono
É um processo 
Por aí vai, né? 
É muita coisa 
Já são quase oito

Doce Dançarino Trôpego


Em nossas buscas o destino nos leva a tal lugar para encontrarmos algo diferente daquilo que achamos que queremos. Para entender que não queríamos. Para entender o que é querer. Para entender porque buscamos. E assim, a pressuposta busca se torna mais um passo em meio a tantas pegadas tortas que me levam aonde estou. 


De longe


A forma sem forma. 
A forma que forma
vem do infinito, 
E ao infinito ela retorna 
Pássaros 
Um triângulo 
Um risco 
O céu 
Pontos 
Que desaparecem 
Ao infinito retornam 
Dentro da minha percepção 


Monólogo com o Tempo


Sentei na frente do tempo 
Ele queria conversar 
Pedi um café 
Ele um chá 
Como tem passado? 
Como posso 
Como soul
Vai chegar lá 
Vou quando terminar 
Sinto falta 
Não sabe o que diz
Vai esfriar 
Vai ser feliz
Vamos dançar? 
Não diga que não quis 
Vou aprender 
Vai se perder 
Te achar
Te ser? 
Tecer


Do Zeit

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Há um ponto onde tudo gira em volta. Belo, justo, gerador do tempo e da realidade. Esse ponto pode estar escondido no meio de tantas defesas, diligências. Cercado de ídolos com rostos rígidos. Guarda e prontidão. Uma linha horizontal tão fina e reta que quase some abaixo do nariz pontiagudo. Um escudo e uma lança em cada flanco. Ostensivos contra qualquer um que ouse tentar passar. 


Da consecução

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Da consecução.
Encontro o que tenho que encontrar para isso me levar a outro lugar. 
Não se passa por um onde sem antes ter estado em outro. 
É impossível estar no mesmo lugar no espaço duas vezes. O planeta gira e anda no seu caminho. Sua casa agora não está onde era ontem. 
Se lembrar que tempo e espaço é uma só coisa, então estará mais distante ainda de onde estivera. 
Fogo nos olhos, aguce os ouvidos. Esvazie os pensamentos para ver a novidade, a surpresa, a possibilidade do devir. 


Onde mora


Guardei para mim o amor que me deu
Coloquei numa caixinha
Dentro de uma foto nossa
Pendurei na lua
Quando a noite chegasse
De modo simples e gracioso
Você ainda me iluminasse
De modo novo e minguante
De modo cheio e andante
De modo sem modos 
E teria de ser astronauta
Para ver onde se esconde


Sem música

Sem onde
Pensei que...
Não é nada. 
Não era nada. 
Sonho que tive e não lembrei. 
Serve pra ferir a alma, 
florescer a alma, 
crescer a alma. 
E serve assim 
Tudo acalma
Para mim. 
Tudo acontece 
Fico de saída 
Estou de passagem 
Sem falar
Fico depois 
Da esquina 
Onde não tem lugar 
Onde não consigo te ver 


Da força vital

Atabalhoado. 
Cresce aqui e ali. 
Tão pequeno e sutil 
que é grande e envolve.
A procura não tem 
Seu fim no achar
Mas um começo 
No que é elementar. 


Da verdade

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Da verdade. E tudo passa a afirmações, demonstrações de um ser sendo. Ser. A promessa de uma estrutura sólida, parede do universo, impositiva, intransponível. Quando o silêncio nasce do som; onde do ódio, da mágoa, nasce o amor. Onde na ignorância brilha a chama do algo mais, ilumina a escuridão. A escuridão é condição. 
No epigrama perdido encontra a sabedoria anciã. Nas linhas rebeldes, inconsequentes, os olhos de quem vê procuram o novo olhar próprio. Um olhar perdido no tempo em que o apego era a volta para o útero. Livre de eu sou, livre do que se amontoa no que são. Livre para olhar. Além do bem e do mal.


Da escuridão

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Ah, a escuridão. 
Tão macio e gostoso é o teu sorriso que me faz esquecer tudo que vivi até aqui, tudo que virá depois. Daqui. Queria esculpir na parede da realidade seu semblante, para que jamais mudasse. Pois tudo muda. 
E tudo muda.
E seu sorriso se fechou. Sorrisos se fecham, se abrem de novo. Podem abrir porque um dia se fecharam. Enquanto tudo muda, um pedacinho de eternidade é uma nuvem macia e gostosa para se deitar. 
Nos faz esquecer a escuridão que nos cerca. A falsa vilã do que deixamos de ver, sentir e acontecer. 
Sonho em não sonhar. 


O desejo vem em portas...

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Que tudo termine bem 
Que você tenha quem amar. 
Que vai e vem
Que a política não te conforme
Que os outros te guiem 
Que possa aceitar o que te dão 
Por quê? Quê, ou quem? 
Que sempre seja assim 
Que a mentira sempre caia
Que te digam como as coisas são 
Que porquê te serve? 
Que te sirva bem 
E se não servir, 
A porta está além